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Notícias

2 de Março de 2020

Dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher é comemorado mundialmente no dia 08 de março. O filósofo grego Platão considerava a natureza das mulheres inferior à dos homens, na “capacidade para a virtude”, a mulher era então vista por ele como um ser sem raciocínio, comparando-a aos escravos. Não tinham poder de escolha em nada nas suas vidas, nem o marido podiam escolher, limitando-se a serem escolhidas e até a serem passadas para outro se o marido assim o entendesse. As suas obrigações eram educar e criar os filhos, cuidar da casa e manterem-se submissas ao seu esposo. Também em relação ao trabalho, a mulher deparava-se frequentemente com grandes limitações, o acesso a determinadas profissões era-lhe negado, a mulher não tinha direito de acesso a determinados lugares que se considerava que deviam ser ocupados por homens. A magistratura, a diplomacia e a política são apenas alguns dos exemplos de setores profissionais a que a mulher não podia aceder. A Idade Contemporânea ficou marcada pela luta social de largas massas femininas, pois as mulheres consciencializaram-se da sua situação discriminatória na sociedade. Esta luta social expressa-se por múltiplas ações comuns e em grande parte de formas de organização e movimentos. O objetivo desta luta diversificada das mulheres é a sua aspiração à emancipação e à mudança para um estatuto social mais dignificante. Em 1949, Simone de Beauvoir publica “O Segundo Sexo”, a obra torna-se um marco incontornável para o pensamento feminista na qual trata as questões ligadas à opressão e às desigualdades entre homens e mulheres, que estão na base da construção das categorias sociais e culturais subjacentes ao “feminino” e às “mulheres”.

Simone de Beauvoir recusa assumir um papel “naturalmente predestinado” e de subalternidade da mulher, veiculado por uma sociedade patriarcal e de dominação masculina, na qual a mulher é vista como um segundo sexo. Em pleno século XXI as mulheres ainda continuam a ser vistas como um segundo sexo. Continuam a estar sub-representadas em cargos de decisão ou cargos de chefia, tanto na política como nas empresas. Continuam a ganhar em média menos 16,3% do que os homens. E a violência contra as mulheres continua a ser um fenómeno generalizado. Vivemos no século XXI, por isso temos de assumir uma perspetiva do século XXI na construção de uma sociedade desprovida de preconceitos e estereótipos.

Uma sociedade que rompa com o determinismo biológico em que o mais importante seja a liberdade e a possibilidade de escolha. Em suma, uma sociedade “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

As conquistas democráticas conseguidas com o 25 de Abril de1974, tiveram uma contribuição de grande relevo da mulher, que participou de forma ativa e corajosa na luta reivindicativa económica e social, a defender a liberdade.

O Brasil, como sabemos, caracteriza-se por ser um país de imigrantes, quadro em que se destaca o fluxo populacional contínuo com Portugal, nos cinco séculos. No início, o colonizador. Depois, o imigrante, que participou da formação da classe trabalhadora e deixou expressivas marcas em outros campos profissionais do país. As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Santos atraíram maioritariamente os imigrantes e, ainda hoje, são fortes os signos identitários e capitais lusos ali encontrados. Entretanto, a situação de ex-colônia e os conflitos inerentes a essa relação, a língua e os costumes comuns acabaram por trazer uma espécie de “invisibilidade” a essa imigração, mascarando, inclusive, as diferenças que subsistem em seu interior.

Como causas dominantes deste fenómeno, são patentes razões de natureza económica, fraco nível de vida e de oportunidades de emprego, sobretudo nas regiões rurais. Esta situação comprova ainda a incapacidade do tecido produtivo industrial absorver os contingentes de assalariados e de trabalhadores não especializados libertos das atividades agrícolas e de subsistência registada em Portugal no decurso da segunda metade do século XX. Para além destas razões também as causas de natureza política contribuíram para acelerar este movimento. Assim aconteceu com as pressões políticas impostas pelo regime Salazarista e pela guerra em África; a falta de liberdade de expressão e as práticas que levaram à fuga de muitos jovens, antes ou durante o cumprimento do serviço militar, e que conduziram à saída da população jovem para a Europa no decurso dos anos sessenta, até 1974. Quanto à sua extensão verificamos o grande incremento e expansão deste movimento em todas as regiões do território português em particular nas regiões densamente povoadas do norte e do centro do país, assim como nas Ilhas Atlânticas dos Açores e da Madeira. Este fenómeno afetou particularmente as regiões do Minho, de Trás-os- -Montes e da Beira-Alta, de onde partiram os maiores contingentes de emigrantes em direção ao Brasil.

É neste amplo contexto espaço-temporal, que o documento releva e enaltece, a nobre força motriz da Mulher, enquanto elemento emancipador e aventureiro, face ao “desconhecido”, à procura de melhores condições de subsistência, agarrando a vida com tenacidade e astúcia e alma vigilante, navegante, que os registos de passaporte assim o evidenciam.

Os Rostos das fotografias dos passaportes, emanam dor, sofrimento, alegria e constante luta num movimento de fé existencial incansável.

Partir, deixar a raiz identitária num ato emocional, racional, poético, nobre….

Homenageamos estas mulheres de grande vigor, singulares, solitárias, coração vivaz e empreendedor.

Por fim, fazemos o repto de convidar as pessoas a escreverem e enviarem, histórias das mulheres transmontanas que emigraram, contribuindo deste modo, para o acervo de memória coletiva, com textos e imagens para divulgação no site do ADBGC, através do contacto eletrónico: mail@adbgc.dglab.gov.pt

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Esta notícia foi publicada em 2 de Março de 2020 e foi arquivada em: Arquivo.
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