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1 de Setembro de 2021

Documento do mês de setembro de 2021 – Cartaz das Eleições de outubro de 1937

Regime do Estado Novo, sendo uma ditadura atroz, consagrou, na Constituição, a realização de eleições presidenciais, legislativas e para as Juntas de Freguesia, uma vez que só o voto popular podia fornecer a legitimação interna e externa de que necessitava. Contudo, os resultados eleitorais sempre foram controlados de modo a garantir a vitória do candidato ou da lista da União Nacional e todas as eleições foram fraudulentas numa esquemática de poder pelo poder. As eleições presidenciais de 1949 e 1958 foram dois desses momentos importantes para Portugal, em que o povo teria podido votar e decidir o futuro do país mas em que a opressão, a censura, a violência iminente e a fraude visível marcaram a campanha eleitoral e determinaram a votação, garantindo a vitória dos candidatos e a derrota dos da oposição.

As eleições sempre foram, são e serão o momento crucial em que a população de um país participa ativamente na vida política, elegendo os seus representantes e governantes e manifestando o seu apoio ou repúdio pelas políticas do governo. Por isso, elas devem ter por lema a Liberdade, pois o povo tem o direito patente e natural de expressar sem “prisões” o seu juízo. Durante 48 anos os portugueses não tiveram esse direito, pois viveram debaixo de uma ditadura castradora das liberdades fundamentais, menosprezando o ser humano na sua condição básica, numa base ilusória, criando uma névoa programática, que ofusca o ser e a sua condição. Factualmente o Estado Novo foi um programa autoritário de um rigor desumano e perverso, conservador em valores morais, como de imperativos categóricos se tratassem, corporativo na sua plenitude ideológica, antidemocrático em todos os domínios, antiliberal na relação social e drasticamente fascista, mantendo Portugal debaixo de uma ditadura repressiva, que não aceitava a existência de partidos políticos, de sindicatos livres, da oposição, que reprimiu severamente todas as manifestações de descontentamento popular e que manipulou todas as eleições que se realizaram durante este período.

Assim, este cartaz dirigido aos Brigantinos, emana uma manipulação constrangedora, na forma e na substância, onde o próprio pensamento fica preso nas garras das expressões:” …os homens bons das nossas freguesias” …“São os melhores, em todos os sentidos….”Pelo bem da Nação!”.

O medo impera, asfixia a liberdade, condena o pensamento individual, maltrata os sentidos, e a própria vivência, num terror psicológico, que deixa marcas e traumatismos numa sociedade oprimida na reflexão. Pensar, exprimir o “eu” é o pecado fatal.

A partir da História, neste período turbulento e negro de Portugal, fica-nos a lição para afinarmos a nossa reflexão, e que se faça luz no nosso espírito face às Ditaduras que emanam do seu ninho putrefacto na contemporaneidade.

PT-ADBGC-ACD-GCBGC-MÇ0785-CX0159-1937

Esta notícia foi publicada em 1 de Setembro de 2021 e foi arquivada em: Documento em destaque.