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Notícias

1 de Janeiro de 2026

Documento do mês de janeiro de 2026 – Prof. Doutor António André Pinelo Tiza

O documento do mês dá relevo à personalidade ímpar e singular, pela sua dedicação ao estudo e compreensão da cultura transmontana, no que respeita às suas tradições, usos e costumes. Assim, desvelamos uma breve biografia do autor e investigador. António André Pinelo Tiza nasceu de Varge, freguesia de Aveleda, concelho de Bragança, nascido em 30/05/1949. Tirou o curso de Teologia no Seminário Maior de Bragança. Fez a licenciatura em filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto; doutorado em ciências sociais pela Faculdade de ciências de educação da Universidade de Valladolid. Exerceu funções de professor em vários níveis desde o secundário até ao superior. Tem publicado vários trabalhos no âmbito da investigação sobre etnografia e a educação na região do Nordeste Transmontano. Colaborou em jornais e revistas, nomeadamente, Brigantia, Amigos de Bragança, Jornal de Letras e Tellus. Foi diretor da revista “Amigos de Bragança. Tem vários livros publicados em co-autoria e ainda a obra deveras interessante, “Inverno Mágico, ritos e mistérios transmontanos da sua autoria. A obra” Inverno Mágico”, vem colmatar da melhor forma um vazio que existia no estudo e divulgação de todo um conjunto de rituais do Nordeste Transmontano no ciclo invernal. É, efetivamente, um trabalho notável fruto de um labor dedicado de muitos anos. Neste trabalho de António Tiza impressiona a quantidade (e singularidade) de festividades cíclicas que se realizam nesta região portuguesa no período que vai desde o dia 1 de novembro (antiga festa de Samain dos celtas) até ao período do Carnaval. Além disso tem colaborado em vários livros sobre cultura, história e etnografia em Portugal e Espanha. Tem sido o grande dinamizador da revitalização das tradições relacionadas com a Festa dos rapazes e com a Máscara tradicional de Trás-os-Montes. De salientar, as festas dos rapazes que se realizam um pouco por todo o nordeste transmontano sendo Bragança o concelho onde a tradição é mais forte. Neste concelho, os rapazes saem à rua no dia 25 de dezembro em Aveleda, Babe, Deilão, Sacoias, Vage, Grijó da Parada, Rebordãos, Samil, São Pedro, Salsas, Rio Frio e São Julião. Podem ser chamadas Festas dos Rapazes ou designarem-se como o nome do santo Estevão. Cada aldeia tem tradições próprias, mas na generalidade é seguido o mesmo guião em todas elas. No concelho de Miranda do Douro a tradição mantém-se firme na sede do concelho e nas aldeias de Duas Igrejas, Póvoa e Constantim. Também em Mirandela é possível ver-se a tradição dos caretos na aldeia de Torre de D. Chama e em Mogadouro há a Festa do Chocalheiro em Bemposta (25 de dezembro e 1 de janeiro) e a Festa dos Velhos em Vale do Porco.

Damos também destaque neste contexto, à pastoral de 7 de dezembro de 1824 do Bispo de Miranda-Bragança D. José Maria de Santa Noronha (1824-1829), sobre o jogo dos paus, pelos eclesiásticos e leigos censurando e proibindo tal atividade lúdica. [… Combinado com que alguns Reverendos Visitadores últimos deixarão capitulado a respeito dos Eccleciasticos que publicamente jogão os páus de mistura com os leigos; isto he, se os ditos Ecclesiasticos incorrem em suspensão ipso facto, ou se a comutação que no dito paragrafo fizemos em suspensão…Porem que nos usaremos de toda jurisdição de que somos munidos contra os que continuarem em tão escandadoloso exercício …]

Nesta ótica, ressalta-se a relevância dos livros de registo de Capítulos de Visitas existentes no Arquivo Distrital de Bragança como peças fundamentais de um sistema estruturado para monitorizar e disciplinar as populações, conforme as normas do Concílio de Trento. Tais registos constituíam, assim, um instrumento de inspeção regular através do qual os prelados aferiam a situação das paróquias sob sua autoridade.

No livro de Capítulos e Visitas de Gimonde (Bragança), onde o Visitador: D. Bernardo Pinto Ribeiro Seixas [1780-1792] faz a seguinte referência no texto que descreve encontros e rituais para a prática de bailes: […“Contamos que com escândalo e gravíssimo por juízo das almas se frequentam os bailes por estas freguesias e nelas se juntam pessoas de um e outro sexo, recomendamos muito o zelo do reverendo pároco que proceda contra os autores de deles condenando-os a sete mil e duzentos reis, e as mais pessoas que neles entrarem nele cinco tostões”…]

As tradições transmontanas evidenciam a forma de ser e estar da comunidade transmontana e o contributo do Dr. António André Pinelo Tiza configura-se como uma fonte documental de grande relevo, permitindo uma maior proximidade entre o indivíduo e a memória histórica da região.

             

 

         

              

 

       

[Cotas: Pastorais: Cx 01-PT3-Dep B; Livro de Capítulos e Visitas de Gimonde. Cx 02-Liv 11, fl. 108]
Esta notícia foi publicada em 1 de Janeiro de 2026 e foi arquivada em: Documento em destaque.