18 de Fevereiro de 2026
Comemorações dos 562 Anos da Elevação de Bragança a Cidade
No âmbito das comemorações dos 562 anos de elevação de Bragança a cidade no mês de fevereiro, o Arquivo Distrital de Bragança associa-se a esta efeméride, destacando a Carta de 7 de janeiro de 1510, dirigida pelo 5.º Duque de Bragança, D. Teodósio I, ao Juiz e Vereadores da cidade, sobre assuntos relativos à administração da cidade, nomeadamente: construção de praça-mercado dentro da Vila; obras no Castelo; obras na Casa Municipal (Domus Municipalis).
Citamos assim, a transcrição do singular e incontornável mestre, Francisco Manuel Alves, mais conhecido por Abade Baçal, na sua obra – Memórias arqueológico-históricas do Distrito de Bragança: Tomo VIII, pág. 156
DOCUMENTO Nº 6
Construção de praça-mercado dentro da Vila. Domus Municipalis
7 de janeiro de 1510
«Juizes e oficiaes de Bragança eu o duque vos envio muito saudar vi vosa carta e quanto aa casa que ordenais fazer pera se vender o pam e outros mantimentos eu falei qua com Diogo Borges e lhe preguntei se abia detraz da casa que pera elo comprastes outras casas que se podesem comprar pera fiquar a praça mais larga e elle me dise que abia humas de Lopo Ferreira e outras de un seralheiro pello que me parece que se devem comprar sendo anbas necesarias e meter esta casa pera dentro de feiçam que alem daquela medida que me mandastes que abia da porta do castelo quorenta passos a largura pera tras sesenta palmos que he largura conveniente / e ao que dizeis que este he pera terreiro do castello antes parece mais necesario pera a cidade e seu nobrecimento pera fiquar pera praça e terreiro dela de que ora teem mais necesidade que o castello que ao tempo que o castello tiver necesydade de terreiro acustumase derribaromse quaesquer casas que lhe fizesem impedimento / e por a obra que se nesta casa fizer ser a custa da cidade e tal que nom he bem que se aventure a quando o castello tiver necesidade diso se aber de derribar e perder a cidade o que niso despendeo he milhor e mais seu proveito fazerse de feiçam que fique segura e pois se deve fazer pagar aa custa do dinheiro dela. Quanto aa casa do concelho que esta na cisterna pareceme que se non pode fazer boa obra sobre as paredes que estam por serem esgonças e devese de fazer la huma casa por esquadria dandolhe o comprimento e largura o mais que poder ser sobre aquelle chaão e podese derribar pera iso as duas ou tres paredes ate o lageamento que non se perde niso mais que o feitio pois que a cantaria hi fiqua e a altura das paredes des o lageamento atee a armação deve de ser de quatro varas e mea e a armaçam deve de ser feita de boa madeira e bem lavrada e develhe de fazer algũuas janelas de modo que se agora acustuma e nisto deveis de praticar com Lopo de Sousa que sabera dar pera iso boo conselho de Vila Viçosa a bij dias de Janeiro de 1510. E quanto aa oura da praça desa par me parece escusada como ja tenho escrito e em nenhûa maneira a deveis de fazer porque são cousas que em nenhûa maneira se teer concertadas e olhai que desde a porta do castello aa casa hade aver os R [40] passos e mais os Lx palmos e agradeçovos o boo cuidado que tendes das cousas desa cidade e do meu serviço e asy de mas fazerdes saber. o duque» (215).
(215) Manuscritos Antigos, 5, fólio 43.

