17 de Abril de 2026
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2026 – Catástrofe – 1801
O Arquivo Distrital de Bragança associa-se à celebração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios,
que se celebra no dia 18 de abril de 2026
O International Council of Monuments and Sites – ICOMOS Internacional definiu como tema para 2026 o Património Vivo: Resposta de Emergência em Contextos de conflitos e catástrofes.
O Arquivo Distrital de Bragança é um arquivo de âmbito regional, com natureza de Serviço dependente da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, integrando o sistema nacional de arquivos definido no Decreto-Lei n.º 103/2012 de 16 de maio, tendo como missão: recolher, gerir, preservar, valorizar e difundir o património dos arquivos da região.
A documentação que aqui foi sendo incorporada (cerca de 8 km) constitui um património histórico e cultural de valor incalculável e da maior importância, não apenas para a história regional, mas também para a história Nacional. De entre os fundos documentais à guarda desta instituição destacamos: Fundos paroquiais; Fundos notariais; Fundos judiciais; Fundos monásticos; Fundos de confrarias e irmandades; Fundos de misericórdias; Fundos da administração central; Fundos da administração local; Fundos de famílias e Fundos de pessoas singulares.
Para além da antiguidade dos tesouros que guarda e das potencialidades da inovação tecnológica, queremos mostrar a toda a comunidade, a importância deste organismo na salvaguarda do Património Arquivístico do Distrito, na continuação da união entre o passado, o presente e o futuro, permanecendo como um elemento identitário fundamental.
Integrado no tema o Património Vivo: Resposta de Emergência em Contextos de conflitos e catástrofes, o Arquivo Distrital de Bragança, associa-se à celebração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios com a divulgação de um documento do seu acervo.
Trata-se de uma anotação, na primeira folha do livro de notas para escrituras diversas do tabelião de Quintela de Lampaças, Francisco José Centeno, na qual se dá a notícia de grandes estragos, provocados por grandes tempestades que ocorreram no dia 24 de junho, dia de Corpo de Deus e de São João, no ano de 1801, na localidade de Quintela de Lampaças, concelho de Bragança.
A anotação desta catástrofe feita num livro de notas para escrituras diversas, com o qual não tem qualquer relação direta, demostra uma clara preocupação em registar, para memória futura, um acontecimento trágico que marcou as gentes daquela freguesia. O local utilizado para o registo deste episódio nefasto, pode ser compreendido pela carência de recursos materiais, como o papel, tendo sido utilizado o livro que estaria mais acessível. A verdade é que provavelmente, se a anotação destes acontecimentos não tivesse sido registada neste livro, poderia não teria chegado até nós. Neste livro, encontramos outras anotações sobre temas variados, que o autor considerou importante registar.
Transcrição do Documento.
No ano de 1801, sucedeu neste lugar de Quintela [de Lampaças], em dia de Corpo de Deus a desgraça de se arrasar este termo e ficou muito pouco pão. Em dia 24 de Junho, dia de São João, veio tão grande tormenta que acabou de arrasar tudo, levando hortas, lameiros, paredes, tudo ficou místico. A ribeira levou 16 moinhos, presas, arvores que arrancou. Que tudo ficou pedindo a Deus clemência. Até as pontes se não sabe por donde eram. Deus tenha piedade das nossas Almas que isto se rezara, uma Ave-maria a Nossa Senhora por minha intenção. Francisco José Centeno, que o escreveu.
O documento pode ser consultado em:
https://digitarq.arquivos.pt/documentDetails/3060212a99de47818334eccbb7003bfd
