8 de Março de 2026
Dia Internacional da Mulher
O Arquivo Distrital de Bragança enaltece e enobrece o Dia Internacional da Mulher que neste ano de 2026 é subordinado ao tema: “a importância de garantir igualdade, justiça e oportunidades para todas”.
No dia 8 de março celebra-se o Dia Internacional da Mulher, data que destaca a luta das mulheres por igualdade de direitos e o seu reconhecimento em diversas esferas da sociedade. É um símbolo na luta das mulheres pela afirmação da sua dignidade e contra todas as formas de violência e discriminação. Assim, urge o imperativo e sentimento vivaz de recorrer à História invisível da Mulher, para rememorar as conquistas que se constroem na temporalidade, de modo a afirmar e mobilizar na consciência coletiva as conquistas, e reescrever no corpo do futuro as novas metas, os sonhos adormecidos, as esperanças sombrias, que serão o despertar renascido do amanhã de sempre como esplendor da aurora que resplandece na Memória de luz translúcida, de ontem, hoje e sempre. As mulheres continuam a ser as principais vítimas de violência doméstica e continuam a morrer às mãos do seu agressor. Há mulheres e raparigas que continuam a ser proibidas de estudar ou de ter uma profissão. O trabalho feminino não remunerado não é reconhecido e nem valorizado. As tarefas domésticas e de cuidado familiar não são partilhadas de forma equilibrada. As desigualdades salariais persistem e agravam-se nas profissões mais qualificadas. A segregação profissional ainda é uma realidade e as profissões mais feminizadas, são também as mais mal pagas.
Muitas mulheres e raparigas ainda não conseguem ser, ou ocupar o lugar com que sonham. Assim, destacamos a inegável matéria-prima das “Mulheres Invisíveis”, sem rosto e anonimato: são as Mulheres domésticas do distrito de Bragança e do mundo que homenageamos em todo o seu esplendor, a partir dos registos de batismos e de passaporte, onde evidenciam a sua audácia e valentia, coragem e força no seio do quotidiano e árduo trabalho. Elas amparam, amam, cuidam, são alquimistas do amor. São Mães que no silêncio tecem poesia, abraçam as estrelas e na dor fazem uma oração intemporal.
Falar da mulher doméstica transmontana é evocar um pilar fundamental da cultura do Norte de Portugal. Historicamente, esta figura não era apenas uma “dona de casa” no sentido moderno, mas a verdadeira gestora de um ecossistema complexo que unia a casa, a família e a terra.
Numa região marcada pela emigração masculina (especialmente para o Brasil e França, séculos XIX-XX), a mulher transmontana assumia o papel de chefe de família de facto, cuidava dos filhos e dos idosos, trabalhava a terra, tratava do gado e mantinha a coesão social da aldeia.
De realçar a Resiliência – Uma capacidade enorme de aguentar os invernos rigorosos e a dureza do trabalho físico sem queixumes.
A Hospitalidade – É a personificação do “dar tudo o que se tem”. Se entra um estranho em casa, a mulher transmontana rapidamente põe a mesa com pão, queijo e vinho.
A Religiosidade e Superstição – Uma ligação profunda à fé cristã, muitas vezes misturada com crenças ancestrais em “mau-olhado” ou mezinhas naturais para curar males.
A partir da nossa base de dados (https://digitarq.arquivos.pt/) de registos de passaportes, através da pesquisa simples, a palavra/profissão “Doméstica” apresenta um resultado de 4.000 registos de mulheres domésticas, que partiram numa viagem infindável…
