1 de Abril de 2026
Documento do mês de abril 2026 – Saltério do ano 1742 – Oração oficial na Paixão do Senhor
O documento deste mês dá relevo ao Saltério, datado do ano de 1742, pertencente ao acervo bibliográfico custodiado pelo Arquivo Distrital de Bragança, livro impresso que contém os 150 Salmos da Bíblia, inspirado do Antigo Testamento, também conhecido por Breviário Romano, com pauta musical em canto sacro gregoriano monofónico, para ser cantado “à capela”, em latim utilizado em mosteiros e igrejas.
Dele fazem parte: “Todos os Salmos, Hinos, Antífonas, orações à Bem Aventurada Virgem Maria, pelos Defuntos e, os Responsórios”.
Para uma melhor compreensão do Saltério, partimos de um diálogo imaginário, onde predominam troca de ideias, uma salutar comunicação entre amigos ficcionadas num Arquivo algures, onde se pretende construir um entendimento comum com sentido pedagógico à questão que suscita uma curiosidade indelével: O que é um Saltério? Para que serve? Qual o seu Uso?
Saltério de 1742 [da Paixão de Cristo ao Sábado Santo]
Sketch, se assim se lhe pode chamar, a uma conversa de amigos num Arquivo, perto de si, para tentarem perceber como reza, e porque reza, a Igreja a sua oração litúrgica diária e, para que serve o Saltério.
Hoje cai numa inusitada conversa, como o João Ratão caiu no caldeirão, só que não fiquei cozido, mas ajudei a temperar um bom cozido à portuguesa. Um diálogo de amigos, investigadores, num Arquivo Distrital, do país, perto de si. Três amigos tentam reunir ideias para elaborar o documento do mês: o Saltério Litúrgico de 1742, e um quarto que entra na sala, ou como quem diz, que chega e ajuda a entrar no tema dos Hinos Litúrgicos das Horas Canónicas, de Domingo da Paixão e de Sábado Santo.
Maria – Já ouvistes falar da Liturgia das Horas?
Paulo – Não! Isso é coisa de padres, ou freiras […] Não estou interessado!
Maria – Então estamos mal […], pois o livro que temos para análise é um Saltério, um compêndio de Orações Litúrgicas, da celebração diária das Horas Canónicas, do século XVIII!
Paulo – Já me pareces uma tele evangelista, ou uma Testemunha de Jeová.
Maria – Estás enganado, quem dera, pudesse ombrear com eles em convicção e, sentido de persuasão […]. Bem, não vamos por aí, porque que nos levaria a outros campos […]. Afinal estou a tentar formar o espírito de um Arquivista para conhecer e, lidar melhor com os livros da Igreja, que no fundo constituem a maior parte do acervo dos nossos quilómetros de documentação.
Paulo – Bem podias falar ao nosso investigador, o António, o que foi teu colega de Liceu, o padre […], tomávamos café e, eu introduzia o discurso […]. Ora liga-lhe lá…
Maria – Bem falado, já uns dias que não vem por cá….
Paulo – Já parecias o Ti Artur, que Deus lhe fale, só te faltou assobiar.
Maria – Deixa-te de coisas e, vamos lá ver se o António pode vir por cá…
Uns instantes depois, entra o António…
António – Olá, com que então a ligar-me? Não se fala no diabo, aparece-lhe o rabo […]. Não é assim que se diz?
Paulo e, Maria – Seja bem aparecido, já uns tempos que não vens por cá!
Paulo – A Maria estava a ligar-te porque estamos a tentar apresentar o documento do mês e estamos com algumas dúvidas […]
António – E, se tomássemos um cafezinho, que o Paulo há-de pagar?
Paulo – Por isso que não seja, vamos lá.
Após uns breves momentos, para pausa do café e, posta a conversa em dia, pergunta a Técnica:
Maria – Bem, o Paulo, como de costume está sempre na brincadeira e, hoje chamou-me Tele Evangelista, vê lá tu! Achou pouco credível a minha análise e, mandou-me chamar-te […], o que vale é que já vinhas a caminho. Para apresentar o documento do mês precisamos falar de um Saltério de 1742 […]
António – Com todo o gosto, por favor vão buscar o dito cujo e, vamos analisar o que pretendem, Sr.ª Tele Evangelista […].
Maria – Também tu […]. Corre lá Paulo, seu atrevido […].
Paulo – Aqui está [chegou o Paulo esbaforido].
Maria – Explica-nos o que é isso da Liturgia das Horas, que o Paulinho só me soube dizer que isso era coisa de padres e freiras, este deslarado […].
António – O Paulo gosta muito de ironizar e, simplificar já sabemos […]
Maria – Olha, acabou de chegar o Miguel, o Chefe dos Escuteiros […].
António – Ei, esquecia-me que tinha combinado com ele, aqui na sala de leitura e, não querem saber que o assunto era o mesmo! Vou já fazer uma raspadinha, hoje é o meu dia de sorte. Um dois em um, não sucede todos os dias! O Miguel Vai organizar, para a semana, um Raide com os exploradores e pioneiros do seu grupo de escuteiros e, quer que eu o ajude a explicar aos escutas como é que se reza a liturgia oficial da Igreja. Também está como o Paulo, quando diz: isso é coisa de todos, ou apenas dos eclesiásticos?
Entretanto chega o Miguel, um pouco cansado pois acaba de chegar do IPG, onde é professor de Astronomia.
Paulo – Então Miguel, vamos ver, ou não, o eclipse a Rio de Onor?
Miguel – Vivam. Ó Paulo, ainda agora aqui cheguei e, já te queres esgueirar pra terras do Ti Mariano, que Deus tem? Estou a ver que ainda te vais habilitar a pagar a multa em vinho, pois o sol vai eclipsar junto à estrada nacional e, vais estar por lá muita gente e, polícias também não faltarão […].
Eu, hoje vim para aprender convosco e, ouvir o assistente. Vamos lá a isso.
António – Estava eu a dizer ao Paulo e à Maria que a Liturgia das Horas não é coisa de eclesiásticos, antes pelo contrário. Hoje tu estás aqui porque queres ensinar aos teus escuteiros como se reza com as diferentes horas do dia. É verdade, não é Miguel?
Miguel – Sim Assistente, a Liturgia das Horas, ou breviário, é para todo e qualquer fiel cristão batizado, comprometido com Cristo e com a Igreja, seja ele leigo, consagrado, religioso, sacerdote [Diácono, Padre, ou Bispo]. Todos nós podemos compaginar o nosso horário de trabalho com a recitação da oração oficial da Igreja, rezando as horas canónicas.
Paulo – Tu, é que me saístes-me cá um eclesiástico macarrónico […].
Maria – Respeitinho Paulo. Ai a vida!
António – Certamente, já viram pessoas, ainda que mais não seja num filme de Hollywood, sentadas a um canto de uma sala, num corredor, ou num jardim, de pernas fletidas e, tronco direito, procurando serenar, na busca do equilíbrio interior. Pois, é que a mais recente evidência científica tem comprovado que o exercício da espiritualidade no trabalho, traz rendimento acrescido! Se não, não havia tanto patrão a conceder pausas no trabalho, aos seus empregados, em vários momentos do dia, para serenar, meditar, refletir e, rezar.
Paulo – António, não te estás a referir ao Papagaio Morto dos Monty Python?
Maria – Paulo, olha a ver se te cai um dentinho com a piada? Continua António […]
António – Não era de facto muito vulgar ver um leigo católico rezar, com o livro, breviário, na mão, nas diferentes horas do dia, a não ser, claro está, no Mosteiro. Hoje, já não é bem assim, há quem traga o ritmo do Mosteiro para a sua vida diária e, com muitos benefícios. Com a vulgarização da tecnologia e das redes digitais, surgiram os breviários de bolso, disponíveis para qualquer telemóvel, ou equipamento eletrónico. Hoje já não tenho tanto a certeza se o passageiro que vai ao meu lado, no comboio, no barco, ou no autocarro, se está a ler Inocência e Pecado de Grahm Green, ou simplesmente a recitar as horas canónicas.
Esta forma de rezar tem acompanhado os católicos ao longo dos séculos, ajudando-os a transformar a sua atividade de vida diária em louvor a Deus, seja ele leigo, freira, ou padre […].
Ao longo do dia, a Liturgia das Horas, oferece-nos um conjunto de orações para nos colocar em sintonia e comunhão com a Igreja. Esta oração tem como fonte as preces da Sagrada Escritura, pois o coração desse método remete-nos para o uso diário dos Salmos.
Com esta oração nunca rezamos sozinhos! Mantemo-nos unidos a todos os católicos do mundo inteiro, aos anjos e aos santos, como diziam os antigos.
Paulo – Vá, cuidado Maria, se te concentras muito estás aqui estás em Lisboa e, não tarda nada, a rezar na Torre do Tombo.
Maria – Mas que chato, não se cala!
António – Vá lá Paulo deixa de implicar e, concentra-te mais um pouco.
Desde o nascer ao pôr-do-sol, do levantar, ao repouso da noite, a Igreja reza unida santifica o dia, seja em Bragança, Viana do Castelo, Lisboa, Faro, Tóquio, Brasília, Paris, Kiev, passando por Moscovo, Jerusalém ou Teerão.
O Breviário surgiu dentro dos mosteiros para estruturar o dia-a-dia dos monges, compaginando trabalho e oração da seguinte forma: Ofício de Leituras, para meditar na Palavra de Deus, a qualquer hora do dia; Laudes – 6.00h; Hora Intermédia [Tércia – 10.00h, Sexta – 12.00h, Noa – 15.00h]; Vésperas – 18.00h; Completas – 21.00h.
Paulo – Isso é para monges […].
António – Lá está tu Paulo! O certo é que há quem se autoimponha este horário, com grandes benefícios estruturais, a nível espiritual, de rendimento no trabalho, ou simplesmente procurando uma vida saudável e equilibrada. É óbvio que os monges levantam-se às 4.00h da manhã para rezar Matinas e, de seguida assistir à Missa e depois seguem o ritmo completo das horas canónicas. Mas este ritmo também se simplifica e adapta para o encaixar no quotidiano da vida do comum dos fiéis [Laudes, Vésperas, Completas]. Não duvido que há muitíssimo fiel leigo que reze desta forma no seu dia a dia, seguindo este esquema e, não só os padres, tu também podias começar Paulinho […].
Miguel – Ao início é um pouco difícil, encaixar no esquema, depois é só seguir, passo a passo, cada qual com os seus próprios meios [com o breviário em papel, ou digital], mas contando sempre com a ajuda de Deus, aproveitando esta oportunidade de estar unidos com milhares de pessoas em todo o mundo e, crescermos espiritualmente.
Maria – Já estou a perceber, trata-se de uma série de orações distribuídas ao longo do dia, compostas sobretudo por salmos e leituras bíblicas, para que todo o dia do católico seja consagrado a Deus em sintonia com a Igreja. Muito bem! Devagar devagarinho se apanha o macaquinho, não era assim que dizia Baden Powell o teu Chefe, Miguel?
Miguel – Sim, sem dúvida Maria. Se o Paulo não chamasse o Assistente não abríamos o livro e, de livro fechado não sai letrado. Não é Paulinho?
António – Obrigado amigos por este momento. Até as tiradas do Paulo ajudaram a refletir convosco, espero tenha siso útil.
Até ao meu regresso. Beijinhos e abraços.
Feliz e Santa Páscoa.
“Jesus está vivo em cada gesto de amor”.
(Cota: ADBGC-A-15-1)










